
Eu ando o mais rápido que posso, com o intuito de despistar o passado e ele parar de bater a minha porta. Ele para, mas manda essas flechas que insistem em me acertar, reforçando as cicatrizes que nem o tempo fora capaz de tirá-las. É cansativo me desviar delas, ainda mais quando sei que são sentimentos afiados, que se recusam a sair da minha pele e me deixar em paz. E é um desafio continuar caminhando e mantendo os olhos secos enquanto as tiro sem a anestesia das suas poucas palavras. Às vezes, tento em vão, enterrá-las. De algum jeito, elas cravam em meus pés e me mantém parada e ensandecida. Talvez eu não devesse tentar me livrar delas, elas me lembram de quando eu respirava por vontade própria, de quando eu tinha uma vida a me importar. E o que me resta é tentar decifrar em qual esquina eu a perdi.
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